meus olhos choram a madrugada.
as lágrimas escorrem entre os dedos
como areia fina.
houve linguagem,
mas linguagens gastam.
vê as rachaduras nas palavras?
houve silêncio,
mas o silêncio não se entende.
vê quanta dor muda?
vê como a cor muda?
ouve como o silêncio grita?
há ausência!
meus olhos choram a madrugada.
de noite, você me dói
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
seca;
[de emilly cavalcanti]
tem veis que a fome
de tão grande e doída
raspa o estômago
até a finura da pele.
as veis anda sozinha
te comi os resto das lembrança
e te afoga na secura
das lágrima a canta.
tem veis que pára
e se arresolve dormi
esquece...
num vorta nem pra nos abri o zóio.
príncipe;
são tempos de nêsperas
canta-se tristezas
suas marcas em mim dizem:
mais um Agosto
das minhas veias
escorre o ódio
filtrado como puro amor no coração.
destrua minha vida se for preciso
prenda-me no mais frio calabouço
eu só te peço: não me deixe
pra esse vento poder descansar
os teus soldados
cercam os muros
e as minhas unhas sangram
após anos de escavação
minhas quimeras
tua coroa
o teu ouro perfura minha pele
e me dilacera
destrua minha vida se for preciso
prenda-me no mais frio calabouço
eu só te peço: não me deixe
pra esse vento poder descansar
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