meus olhos choram a madrugada.
as lágrimas escorrem entre os dedos
como areia fina.
houve linguagem,
mas linguagens gastam.
vê as rachaduras nas palavras?
houve silêncio,
mas o silêncio não se entende.
vê quanta dor muda?
vê como a cor muda?
ouve como o silêncio grita?
há ausência!
meus olhos choram a madrugada.
de noite, você me dói
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
seca;
[de emilly cavalcanti]
tem veis que a fome
de tão grande e doída
raspa o estômago
até a finura da pele.
as veis anda sozinha
te comi os resto das lembrança
e te afoga na secura
das lágrima a canta.
tem veis que pára
e se arresolve dormi
esquece...
num vorta nem pra nos abri o zóio.
príncipe;
são tempos de nêsperas
canta-se tristezas
suas marcas em mim dizem:
mais um Agosto
das minhas veias
escorre o ódio
filtrado como puro amor no coração.
destrua minha vida se for preciso
prenda-me no mais frio calabouço
eu só te peço: não me deixe
pra esse vento poder descansar
os teus soldados
cercam os muros
e as minhas unhas sangram
após anos de escavação
minhas quimeras
tua coroa
o teu ouro perfura minha pele
e me dilacera
destrua minha vida se for preciso
prenda-me no mais frio calabouço
eu só te peço: não me deixe
pra esse vento poder descansar
sábado, 10 de novembro de 2012
nós sem nó;
[malabares no escuro]
pra que palavras belas
se já estamos surdas?
pra que levantar as velas
se o barco afundou?
pra que dizer tantos segredos?
pra que trocar nossos travesseiros?
se tua boca não me satisfaz?
pra que cantar o amor
se a platéia está vazia?
pra que curar a dor
se ela já nos matou?
pra que falar sobre nossos medos?
pra que tentar corrigir os erros?
se teu corpo já não me anima mais?
malabares no escuro não encantam ninguém
cantar para surdos não me faz bem
rimar as frases já ficou sem graça
suas palavras já viraram farsa
e o teu colo não me convence mais.
pra que palavras belas
se já estamos surdas?
pra que curar a dor
se ela já nos matou?
pra que palavras belas
se já estamos surdas?
pra que levantar as velas
se o barco afundou?
pra que dizer tantos segredos?
pra que trocar nossos travesseiros?
se tua boca não me satisfaz?
pra que cantar o amor
se a platéia está vazia?
pra que curar a dor
se ela já nos matou?
pra que falar sobre nossos medos?
pra que tentar corrigir os erros?
se teu corpo já não me anima mais?
malabares no escuro não encantam ninguém
cantar para surdos não me faz bem
rimar as frases já ficou sem graça
suas palavras já viraram farsa
e o teu colo não me convence mais.
pra que palavras belas
se já estamos surdas?
pra que curar a dor
se ela já nos matou?
nó em nós;
Chora menina, por essa história que não terminou.
Canta comigo sobre a lágrima que se precipitou.
Balança teus cabelos, deixa a infância voltar.
Tenha sonhos de criança pra dor não despertar.
Diga menino, se um dia isso vai passar.
Brinca comigo, impeça meus olhos de chorar.
Se torne meu soldado, deixa a infância voltar.
Afague meus cabelos e não me deixe acordar.
Canta comigo sobre a lágrima que se precipitou.
Balança teus cabelos, deixa a infância voltar.
Tenha sonhos de criança pra dor não despertar.
Diga menino, se um dia isso vai passar.
Brinca comigo, impeça meus olhos de chorar.
Se torne meu soldado, deixa a infância voltar.
Afague meus cabelos e não me deixe acordar.
nó sem nós;
vai coração!
abre a cicatriz
deixa a dor entrar
deixa atormentar
deixa o silêncio perturbar.
os nossos beijos
em nós, pequenos
tantos olhares
dores nos lares
tantos segredos
minha pele nua
tua comida crua
tantos olhares
dores nos bares
bogagens tuas
os nossos beijos (minha pele nua)
em nós pequenos (tua comida crua)
tantos olhares (tantos olhares)
dores nos lares (dores nos bares)
tantos segredos (bobagens tuas)
vai coração...
abre a cicatriz
deixa a dor entrar
deixa atormentar
deixa o silêncio perturbar.
os nossos beijos
em nós, pequenos
tantos olhares
dores nos lares
tantos segredos
minha pele nua
tua comida crua
tantos olhares
dores nos bares
bogagens tuas
os nossos beijos (minha pele nua)
em nós pequenos (tua comida crua)
tantos olhares (tantos olhares)
dores nos lares (dores nos bares)
tantos segredos (bobagens tuas)
vai coração...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
nós sem nós;
escuta agora a última batida do meu pandeiro
respira e sufoca o pó que sobe
e o bandolim que chora baixinho
meu samba de ir embora
lê, pela última vez, meus versos pra você
reclama o ardor da dor que nasce
sente meu abraço no teu e canta
meu samba de ir embora.
devolve os lábios que me pertenceram
desate nó a nó dos lençóis
atente-se a despedida do violão
é o samba de quem vai embora
escuta agora o último gemido da cuíca
no pé do ouvido do teu Chorinho
e o acorde final do meu samba triste
é o samba de quem vai embora.
respira e sufoca o pó que sobe
e o bandolim que chora baixinho
meu samba de ir embora
lê, pela última vez, meus versos pra você
reclama o ardor da dor que nasce
sente meu abraço no teu e canta
meu samba de ir embora.
devolve os lábios que me pertenceram
desate nó a nó dos lençóis
atente-se a despedida do violão
é o samba de quem vai embora
escuta agora o último gemido da cuíca
no pé do ouvido do teu Chorinho
e o acorde final do meu samba triste
é o samba de quem vai embora.
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